Sábado, 27 de Fevereiro de 2010

Grito

A maior asneira que alguém pode fazer na vida é submeter-se.
Submetemo-nos a regras. Censuramos os nossos pensamentos, bloqueamos os nossos desejos, proibimo-nos de sonhar com coisas que nos dizem que são absurdas.

Não suporto as regras: não uses o melhor vestido para ir ao supermercado, não compres esses sapatos de salto vertiginoso que só vais calçar uma vez, não mandes uma piada ao estranho que passa só porque o momento te pareceu oporturno… E é assim que, com pequenas coisas que não faziam mal a ninguém, nos prendemos nas nossas próprias celas, que nos resignamos a um exílio que está bem longe das nossas vontades.

Eu quero dançar quando mais ninguém dança, dizer “Eu amo-te” ao fim de uma semana porque o momento parece perfeito, fazer tostas de atum de madrugada e beber champanhe sem ser a festa de ninguém. Comprar uma flor quando estou triste, dizer bom dia ao Sol, entrar no mar à noite, sair de casa às duas da manhã para voltar na madrugada seguinte, ir ao cinema sozinha, perguntar a quem conheço mal se ainda há lugar para mim…

Sair para a rua quando a chuva cai pode deixar-me doente. Mas isso é depois, não é agora! Agora quero a água a escorrer-me pelo rosto como que se me lavasse a alma! A levar as censuras, os bloqueamentos e as proibições. E não há mais nada que eu deseje fazer nesse momento…

Mas quem segue o impulso é rotulado de louco, de libertino de inconvencional… Pois eu digo; se simplicidade é ser louca, então é disso que quero que me chamem! Não me importo de ser excessiva, imprudente ou alienada, desde que isso me faça feliz.

Para mim os verdadeiros loucos são aqueles que vivem condenados à miséria de fazer aquilo que os outros julgam estar correcto. São os dementes que reprimem as emoções em nome de algo que nem sabem o que é! Os cegos que desistem dos sentimentos em prol de leis ditadas por alguém que se lembrou de que a frieza é uma característica positiva…

No fim, o certo não se distingue do errado… A mim basta-me o respeito como obrigatoriedade. Para mim e para os outros. Estou cansada de jogar um jogo com regras que não consigo perceber.

1 coisas que me disseram:

fábio souto disse...

Liberdade.
Poucos têm a coragem de saborear o que têm :-)