Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Apatia

Os meus dedos deslizam pelo teclado sem interesse. Os meus olhos passeiam-se pelas imagens na TV sem interesse. Ouço a música do mp3 também sem qualquer interesse. E da cozinha vem o cheiro a comida que, essa principalmente, não me interessa para nada.
É assim todos os dias, todos os minutos e todos os segundos. Amanhece para logo em seguida escurecer e eu não dar conta de nada. Não é tristeza, não é angústia, não é desespero. É simplesmente apatia. Uma enorme apatia em relação a tudo aquilo que se passa à minha volta. Sim, é verdade que continuo a fazer os trabalhos no computador. É verdade que ainda vejo TV. É verdade que a música alegra a minha existência. E é lógico que ainda continuo a comer.
Mas existe um vazio enorme. Um espaço em branco que alguma coisa, que não sei o que é, deveria estar a ocupar… Podia dizer que é o amor, que me falta. Que são os amigos que não podem atender a todos os caprichos dos meus momentos de solidão. Podia dizer que não consigo falar com ninguém sobre nada ou que, simplesmente, tudo o que diz respeito ao meu futuro vem embalado numa caixa enfeitada com um grande ponto de interrogação. E talvez até seja tudo isto… Isto tudo junto pesa de tal modo que nem a razão se consegue impor. Fica, também ela, completamente dominada por esse sentimento de desprezo por tudo aquilo que se passa.

O problema é que não se passa nada.

2 coisas que me disseram:

Z. disse...

Essa apatia, esse vazio... Tens de ser tu a preenchê-los.
O amor vai e vem, os amigos não têm como estar sempre lá. A dura realidade é que, no fim do dia, tu és a única pessoa com quem sabes que podes sempre contar. E também és a única pessoa que, garantidamente, vai estar contigo até ao fim dos dias.
Encontra-te.

Anónimo disse...

Este é daqueles, que podia ter sido eu a escrever (se o soubesse fazer assim)! percebo perfeitamente o que dizes..

Rita